
Muito para dizer sobre a morte do Zé Alencar. Quando soube da trágica notícia de 29 de marco de 2011, parece que o Brasil inteiro foi tomado por uma só emoção, um só coração, um só sofrimento, . Isso porque o Brasil inteiro também, por meio dos seus ilustres e menos ilustres brasileiros torciam pela recuperação e ensejavam dia a dia, à pequenos passos, à conta-gotas, a recuperação de um dos seus mais ilustres e notáveis brasileiros. De origem muito humilde, mas de um histórico de superação e sucesso ao mesmo tempo. Mas porque será que o brasileiro se comove tanto assim com o Alencar? Porque as pessoas ficaram ligadas e antenadas nos veículos de comunicação, só para ficar sabendo as novidades sobre o Zé Alencar?
É muito mais simples que pensamos: o povo se identificou plena e irrestrita com a personalidade do homem, com seu caráter e até mesmo com os seus mais compreensíveis desvios. Identificou também com a sua integral capacidade de olhar nos olhos de quem quer que fosse e lançasse com franqueza as suas idéias, e também, as suas fraquezas.
O povo, em geral, é assim também. Até para aqueles que não conseguem alcançar tal perfil, se contentam em apenas observar exemplos como o Alencar. Se identificou ainda mais com a capacidade de enfrentamento rente à doença voraz, que o espreitava rotineiramente, insistantemente. Alencar não ria para a doença, mas a encarava e a desafiava - Não somente mostrar para a família e aos torcedores de plantão, mas à si próprio, ele queria demonstrar que ainda havia vida em si, vida em torno de si, e que podia proclamar, pelo menos, o adiamento de sua morte. E isso ele conseguiu mais de uma década! Mesmo na complexa adversidade o sorriso não saia de seu rosto. A singileza e demonstração de afeto, de aprendizado, de arrependimento, estiveram sempre nas suas declarações. Além disso tudo não deixava de sonhar com o Brasil, não abandonava as obrigações e implicações de um chefe de Estado, interino, ou não. Devemos e podemos nos espelhar sim, num homem como Alencar. Até porque Ele mesmo reconheceu a sua real dependência de Deus, o ser Maior e responsável por dar e reter a vida. Pela passagem do Zé Alencar podemos perceber também um quilômetro à mais no curso de nossas histórias, de nossos sonhos e também quanto à forma de encarar, daqui prá frente, os dilemas e transversalidades de nossas vidas. Seja com Deus, Alencar!