quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quando a dor compensa


Faltam-nos palavras e expressões quando o assunto é dor.
Somente quem a sente sabe da realidade de sua presença: incomodante-marcante.
Às vezes, até insuportável, indizível.
O agravante é quando ela, com persistência resolve se instalar e parecer não mais sair.
Não diz à que veio e muitas vezes não revela sua origem, nem imagem.
Emitimos então som ou sons.
Sons de repúdio, insatisfação e irritação.
Daí passamos à questionar: porquê? porquê? e porquê?
Quando a dor é física sabemos que existem caminhos que podem, o mais rapidamente possível,
extinguí-la.
Os analgésicos, antiinflamatórios, fisioterapias e outros, podem amenizar os reflexos dela.
Mas quando ela se manisfesta na alma, mente e espírito a coisa pode se complicar mais um tanto, ainda.
Porque nem sempre conseguimos distinguí-la tão facilmente assim.
Alí há acúmulos de anos e anos de sofrimento, decepção, desespero e destempero e desesperança!
Aí os remédios são outros.
Ombros-amigos, comunidade espiritual, reuniões em família, terapias, atendimento pastoral, etc.
A paciência será apenas mais um degrau nessa caminhada difícil.
E nessa hora, nem sempre o tempo é nosso parceiro.
Outro desafio será a fé.
Porque a fé não se encontra em qualquer esquina, em qualquer ambiente
e nem tampouco se compra numa farmácia da esquina.
E sem ela é impossível agradar ao Criador!
Fé se encontra no Filho de Deus - na Palavra de Deus.
Palavra essa que torna-se imprescindível ser o fundamento das comunidades espirituais,
amigos, famílias e outros que se disponham em oferecer sua ajuda.
Aí fará sentido a busca!
Se houver restauração completa...
Se houver compartilhar e derramar de coração...
Se houver respeito, ouvidos atentos e lágrimas compartilhadas...
Se houver renovação de esperança,
Se houver clamor e o nome de Deus ter sido glorificado...
Então terá valido à pena!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Falsas impressões

Dia desses retornando do trabalho para casa, percebí que se formava e pairava sobre a região de minha residência grande acúmulo de nuvens densas e pesadas, prontas para descarregar a sua força, sem dó. Com certeza a água que haveria de cair ali encharcaria sobremaneira grande área da cidade. Me preparei psicologicamente para o momento: corrí um pouco mais para não ser pego no meio do trajeto, e comecei a planejar de como seria aquela noite. Medo e receio estampados no olhos! Na minha certeza a noite seria sombria, com grande tempestade à caminho, pouca gente na rua. Os ventos cada vez mais impetuosos, raivosos, chegando com força, limpando e varrendo tudo à sua frente. Esse era o cenário. Era o previsto, certo e certeiro! Mas prá minha surpresa, meia hora depois de ter adentrado ao meu lar, cadê a chuva? Cadê a tempestade? Cadê a ventania? Fui ao jardim e me deparei com árvores quietas, como se nada tivesse ocorrido. O pequizeiro intacto e firme. Olhei para o céu e me deparei com um céu límpido como numa noite de verão! As estrêlas cintilando como nunca! O tempo ruim se fora! O mal pressentimento também. Falsas impressões!
A vida também é assim. Passamos por bons e maus momentos. Experimentamos privações, provações, alegrias, contentamento, surpresas e livramentos também. Somos surpreendidos vez por outra por momentos, que parecem intermináveis sessões de agonia, depressão e insegurança extrema! Mas quando menos percebemos acontece um sumiço daquilo que parecia permanentemente longo, longínquo, interminável até! Parece que Deus permite esses momentos para nos aproximar d'Ele, do próximo. Porque passamos à buscá-Lo buscando aconchego ou mesmo até questionando-O. Mas Ele diz: Isso vai passar! Calma! Eu te carrego! Não desanimes! Não temas! Não andeis ansiosos! Daí resta-nos então, depositar aquilo que gostamos de chamar de 'confiança', 'fé'. Ele deve ficar lisonjeado com nossa postura de à Ele nos entregarmos como abrigo e refúgio. Mas o que Ele gostaria mesmo é de uma permanência maior, uma busca constante de Sua presença! Uma dependência quase extrema! Na verdade, mais pela vontade de estar junto d'Ele, do que buscá-Lo para receber algo, inda que seja proteção!
Faz-me assim, meu Pai, com vontade constante de encontrá-Lo, seja em bom ou mau tempo. À tempo e fora de tempo! Ajuda-me permanecer-me inabalável! Junto à Ti!