sábado, 30 de novembro de 2013

Em Tuas Mãos

Por mais esclarecido que pudesse estar
                                  ...lá estava eu te interrogando-O outra vez
Por mais perplexo que estivesse
                                               ...quase não conseguiria acreditar
Por mais baixo que eu pudesse me sentir
                                                  ...jamais iria renegar a minha fé
Por menos suficiente que eu pudesse me avaliar
                                           ...não perderia a visão, nem o chão
Pelo mais tolo pensamento...quão, vão
                                     ...não abriria mão
Porquanto sou o que sou
                                          ...pelo que Tu quisestes que eu fosse
Pois tenho-me achado desde então
                                           ...no horizonte de pôr do sol 
Por intermédio Teu
                                    ...vivificado, renovado, rejuvenesceu
Por que temeria eu o mal?
                                 ...se a doce Presença constante habita aqui
Felizardo serei... 
Amado estarei...
 Protegido por Tuas 
Somente Tuas
...as Tuas Mãos!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Aquela Saudade

O pensamento voa longe.
Voando longe traz consigo lembranças
Opacas, translúcidas, mas reais
Pensamentos que sondam
O interior de um inacabado
Inanimado mundo
Sorrateiramente debruço sobre o travesseiro
Misturando o suor à escorrer pela testa
Às lágrimas de cristais
Pelas altas temperaturas
Visão em primeiro grau
Desta vez em 'full hd'

Saudades de um tempo
Tempo que se encerrara 'antes do tempo'
Nuances de amores
Recantos de amizades bem vividas, mal resolvidas
Da alegria do viver em festa de interior
De meu interior

Saudades de onde não se encontra pronto o prazer
De alinhar, realinhar palavras
De conectar versos e visualizar sonhos
Uma saudade extra dos manguezais
Do abacateiro recheado
Dos animais nominados
Do colo sincero de mãe feliz, protetora
De olhar matuto de pai, mas também protetor
Do repartir sorrateiro de ombros
De canções de casa

De saudades sou feito
Feito para uma glória que jamais foi minha
Feito para o próximo que por tudo daria consolo e conselho
Saudades de ladrilhas, pedregulhos
Brincadeiras ao meio-fio
Caules e folhas de pé de mamão
Da meninada orgulhosa do ofício infantil
De gastar o tempo assim

Saudades de mergulhar nas raízes
Saudades da arte pela arte
Da arte da adoração por prazer
Saudades do brilho do olhar
Do brilho do seu olhar
O Teu olhar!

Saudades do menino adormecido...
Em mim.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Setenta vezes Sete

Perdão!
Talvez ainda não tenha aprendido essa arte.
Mas arte não imita a vida?
A vida afinal, não é construída com arte?
E com perdão não se faz a vida?
Uma vida de perdão.
Uma tarefa nada tão confortável, fácil.
Porque perdoar não é:
'deixa prá lá', 
'Esquece', 
'Não foi nada não',
'Vamos botar uma pedra'...
E outras tantas 'desculpas' que criamos
para protagonizarmos um perdão 'bem sucedido'.

Perdoar é se anular 'completamente',
Mesmo num cenário catastrófico de guerra de egos
Perdoar é abrir o coração, o jogo
É lavar os pés, os olhos, os ouvidos de quem do perdão carece.
Sempre com uma nova possibilidade de caminhada.
De recontar os passos e histórias 
Prevendo a nossa incapacidade de andarmos sós
Prevendo a nossa incapacidade de acharmos que não precisamos do próximo.

Um perdão por dia.
Um dia inteiro de perdão,
Se preciso for.
Porque perdão é a possibilidade de deixar um amor ressurgir, renascer
É o abrir de cortinas para ver o brilho solar
É o fruto de constrangimento por sermos filhos do mesmo Pai
E reconciliados igualmente pela cruz, na pessoa do Filho.

Temos muito pra aprender com aquele homem
Cravado em cruz
Mas ressucitado no 3º dia.
Uma atitude maior de amor maior.
Atitude maior de perdão
Por aqueles que mais o humilharam
Ouviram um sonoro e carinhoso clamor:
'Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem'!