quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Desculpas


                                           



Toda vez que aproxima o fim de ano é assim: me relembro com facilidade das promessas e planos que fiz no início do ano. 

Concluo que foram inversamente proporcionais as minhas investidas pra que eu tivesse sucesso e pudesse, ao final, contar àqueles que me cercam e me leem, da minha determinação em ter cumprido pelo menos a terça parte dos meus desejos.

Concluo também que sempre ao final, na hora de assentar num canto e enxugar o suor, fazer aquele balanço, aquela contabilidade, sempre vem junto as desculpas esfarrapadas, malcriadas mal elaboradas, jogando a culpa prá outrem, coisas, climas, ordenados, tempos, filhos, esposa, líderes, economia, saúde, etc. 

Concluo também que na maioria das vezes os meus sonhos não são tão legítimos assim... ou faltou a chancela determinada pelo Deus que creio me acompanhar. A legitimidade do Alto!

Concluo ainda na solvência natural que haviam naqueles propósitos. Eu, na minha santa ingenuidade, não estava contando com isso. As dificuldades viriam tranquilamente... claro que viriam! Mas, eu estava preparado para enfrentá-las?  Eu queria encará-las?

Eu devia ter considerado isso, dado um desconto. Afinal, eu tinha plena certeza que a minha fé estava 'inabalável', e era disso o que eu precisava...uma fé sem precedente, procedente do céu, vigorosa, inquestionável! E isso (eu achava) é o que bastava!

Concluo que faltou tato, fato, trato... Sobressai inato, incauto, imóvel, insatisfatório, sobressalente, desconfiado... com um 'da próxima vez.... ah, da próxima vez eu vou conseguir' martelando na cabeça.

Concluo que a certeza que eu preciso é confiar num senhorio superior, e divino, que me alcançe sem medida, que conheça as minhas inquietações e fragilidades, mas não se canse de mostrar-me aquela linha lá no horizonte, e que poderei alcançar meus sonhos, mas, sob a Palavra d'Ele, mais do que com o meu 'próprio esforço' (necessariamente)!

Então, que venha mais um ano de desafios, recomeços, honras, suores, desgastes, fé e vitórias!

 Amém!



A mensagem de fim de ano
que escrevi pra mim mesmo, mas
que sirva pra voce, meu leitor (a)!





sábado, 30 de novembro de 2013

Em Tuas Mãos

Por mais esclarecido que pudesse estar
                                  ...lá estava eu te interrogando-O outra vez
Por mais perplexo que estivesse
                                               ...quase não conseguiria acreditar
Por mais baixo que eu pudesse me sentir
                                                  ...jamais iria renegar a minha fé
Por menos suficiente que eu pudesse me avaliar
                                           ...não perderia a visão, nem o chão
Pelo mais tolo pensamento...quão, vão
                                     ...não abriria mão
Porquanto sou o que sou
                                          ...pelo que Tu quisestes que eu fosse
Pois tenho-me achado desde então
                                           ...no horizonte de pôr do sol 
Por intermédio Teu
                                    ...vivificado, renovado, rejuvenesceu
Por que temeria eu o mal?
                                 ...se a doce Presença constante habita aqui
Felizardo serei... 
Amado estarei...
 Protegido por Tuas 
Somente Tuas
...as Tuas Mãos!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Aquela Saudade

O pensamento voa longe.
Voando longe traz consigo lembranças
Opacas, translúcidas, mas reais
Pensamentos que sondam
O interior de um inacabado
Inanimado mundo
Sorrateiramente debruço sobre o travesseiro
Misturando o suor à escorrer pela testa
Às lágrimas de cristais
Pelas altas temperaturas
Visão em primeiro grau
Desta vez em 'full hd'

Saudades de um tempo
Tempo que se encerrara 'antes do tempo'
Nuances de amores
Recantos de amizades bem vividas, mal resolvidas
Da alegria do viver em festa de interior
De meu interior

Saudades de onde não se encontra pronto o prazer
De alinhar, realinhar palavras
De conectar versos e visualizar sonhos
Uma saudade extra dos manguezais
Do abacateiro recheado
Dos animais nominados
Do colo sincero de mãe feliz, protetora
De olhar matuto de pai, mas também protetor
Do repartir sorrateiro de ombros
De canções de casa

De saudades sou feito
Feito para uma glória que jamais foi minha
Feito para o próximo que por tudo daria consolo e conselho
Saudades de ladrilhas, pedregulhos
Brincadeiras ao meio-fio
Caules e folhas de pé de mamão
Da meninada orgulhosa do ofício infantil
De gastar o tempo assim

Saudades de mergulhar nas raízes
Saudades da arte pela arte
Da arte da adoração por prazer
Saudades do brilho do olhar
Do brilho do seu olhar
O Teu olhar!

Saudades do menino adormecido...
Em mim.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Setenta vezes Sete

Perdão!
Talvez ainda não tenha aprendido essa arte.
Mas arte não imita a vida?
A vida afinal, não é construída com arte?
E com perdão não se faz a vida?
Uma vida de perdão.
Uma tarefa nada tão confortável, fácil.
Porque perdoar não é:
'deixa prá lá', 
'Esquece', 
'Não foi nada não',
'Vamos botar uma pedra'...
E outras tantas 'desculpas' que criamos
para protagonizarmos um perdão 'bem sucedido'.

Perdoar é se anular 'completamente',
Mesmo num cenário catastrófico de guerra de egos
Perdoar é abrir o coração, o jogo
É lavar os pés, os olhos, os ouvidos de quem do perdão carece.
Sempre com uma nova possibilidade de caminhada.
De recontar os passos e histórias 
Prevendo a nossa incapacidade de andarmos sós
Prevendo a nossa incapacidade de acharmos que não precisamos do próximo.

Um perdão por dia.
Um dia inteiro de perdão,
Se preciso for.
Porque perdão é a possibilidade de deixar um amor ressurgir, renascer
É o abrir de cortinas para ver o brilho solar
É o fruto de constrangimento por sermos filhos do mesmo Pai
E reconciliados igualmente pela cruz, na pessoa do Filho.

Temos muito pra aprender com aquele homem
Cravado em cruz
Mas ressucitado no 3º dia.
Uma atitude maior de amor maior.
Atitude maior de perdão
Por aqueles que mais o humilharam
Ouviram um sonoro e carinhoso clamor:
'Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem'!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Não se perca

Não se perca por aí
Perdido por entre becos
Em emaranhados de solitários
Massacrados pelo falso-amor
Não se perca de si
Da razão que te norteia
Da Palavra que liberta
Em meados de histórias
Apaziguadas, particularizadas
Encaixotadas num pacote inanimado
De conteúdos indefinidos
De infundáveis convites

Não se perca
Se ache na cruz maldita
Por que 'maldito' se fez
Tomando sua e minha vergonha 
Expostas, publicadas!
Envergonhe-se então
Tome uma atitude!

Não se perca
Ache-se porém
Enquanto é dia
Enquanto é tempo
Enquanto a luz brilha
Sobre nós

Não se perca...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Á g a p e

Um encanto
Uma alegria
Veio de espanto
Num centeio
Num gargarejo só
Um gracejo
Revejo-me por dentro
Avalio
Medito
Invado
Modifico

Sentinela de mim
Presta atenção à mim
Sou assim
Reflito
Mudo
ou Ignoro
Sou assim

Rente
Sente 
Envolvente
A paz que pousou
Ficou 
Jorrou
Apaziguou
Como nunca antes
Dentro aqui
Frente à frente

Amor de Pai
Ágape
No espírito
E coração
Na caminhada afinal
Repartirei afeto
Ações de graças
Desinibido estarei
Se me comoves
Com graça e paz
E me valoriza
no oportuno tempo...
Diferente serei.







terça-feira, 6 de agosto de 2013

Vive!

http://envolverde.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/04/energia-e%C3%B3lica-31.jpg

Vai
Enseje
Seja
Crie
Proclame
Reverbere
Louve

Cure
Ame
Trabalhe
Anime
Lave
Mova
Inove

Semeie
Fotografe
Perfume
Saboreie
Sinta
Permeie
Escreva

Filme
Adore
Confraternize
Solidarize
Inste
Discute
Respire

Veja
Almeja
Questione
Abandone
Busque
Livra
Livre

Voe
Entoe
Soe
Zoe
Arque
Assume
Inspire

Leia
Pense
Construa
Destrua
Instrui
Interprete
Revele

Justifique
Respeite
Enfrente
Amamente
Atrase
Tente
Eternamente

Estude
Costure
Rale
Passe
Edite
Tabule
Cozinhe

Some
Invista
Subtrai
Divida
Multiplique
Insista
Usufrua

Vive
Vive
Vive
Vive
Vive
Vive
E vive!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esconderijo

Escondo em mim
Escondo de mim
Escondo de Ti
E de pouco adianta
Ainda assim escondia porém
Do azul do seu mar
Do brilhar da Sua glória além
Do paladar de Seu doce cintilar
Do sorriso acalente Teu... no ar!
 
Esconderijo meu
Enfiei, entornei, me esforcei
Esconderijo Teu
Mergulhei enfim
De cabeça e de alma
Somente em Tuas asas!
 
Escondi então, nu
E nu fiquei, fiquei
E me esvaziei
No Esconderijo teu
                           ...Nu
Porque ali não preciso fingir
Ali não dá pra inventar
Não serei outro
Dura face sombria então
Mas a minha face...revelação!
 
Não brinco de esconde-esconde
Não farei meu jogo não!
Me entregarei sem me opor
ao Seu cuidado e amor
Graça e consôlo
                         ...for
 
No esconderijo Teu
Óh Altíssimo
Irei me esconder,
Refugiarme-ei!
Nu esconderijo
Nu.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O Senhor que quero

Eu quero um Senhor que quando eu estiver sozinho, cansado, perdido que só
Achegue-se à mim e de maneira nenhuma Não Me deixes à ver navios
Não se incomoda e Me abraça
Não se acanhe de ser assim tão genial e original para comigo

Eu quero um Senhor que quando eu estiver em meio às multidões
Me olha, Me encara, Me examina, Me exorta
Não Se alegra com a minha indecisão
Antes Me encaminha, Me projeta (em tua luz) e Me proteja

Eu quero um Senhor que me ajude à ajudar meu próximo
Que reflitas sobre mim a Tua genuína e maravilhosa graça
Para que alcance os demais, em trevas
Que não retenhas sobre meus inimigos teu Filho-Redentor

Eu quero um Senhor que quando eu estiver retornando pro Teu seio
Me aceite de braços bem abertos
Me reconheça pelo que sou, ou tenho sido
Pelo meu amor, obras, palavras e arrependimentos

Eu quero um Senhor
O Senhor apenas
Senhor de honras
de paz,
 bondade e longânimo

Eu O quero...
E amo-Te
Assim
Pelo Teu grande
e excelso amor!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Nem montes, nem templos (necessariamente)


É sempre assim. Nosso corpo, mente e espírito já estão condicionados. Fomos assim orientados. Basta que haja, ou não, a necessidade da busca pelo Eterno, lá estamos nós ‘determinando’ o lugar para que Ele se manifeste. Os templos já estão minimamente preparados e milimetricamente construídas estão as liturgias. Gostamos também de percorrer longas trilhas, aclives noite adentro para chegar aos montes. Mas, Ele está lá nos montes? Habita nos templos? Pode, precisa, deve estar? Dos montes vislumbramos toda a cidade enquanto dorme. Podemos estender nossos braços e interceder por ela, por todas as pessoas que ali habitam. Mas o que há de sagrado nos montes, nos tabernáculos, nos templos, em nossas reuniões solenes? O que há de tão mágico nos lugares onde ‘consagramos’ o lugar onde podemos encontrar com Deus.

Nada! Não há nenhuma magia ou encanto ‘especial’ que nos aguarde para que passe a ser um ambiente ‘mais santo’, longe do ‘ambiente mundano’. Ora, naqueles tijolos, paredes, tetos, vitrais, porcelanas e altares não há uma ‘unção’ especial e nem há nos campos uma ‘atmosfera’ mais sagrada, limpa e ‘ungida’ que nos fazem sentir ‘mais perto de Deus’. Devemos nos lembrar de que o que ‘faz’ e ‘deve fazer’ a diferença não são arquiteturas, nem arquétipos de santificação ‘materializada’. A diferença é o Espírito de Deus habitando em nós, seus verdadeiros templos, somos nós, juntos, imbuídos em torno de um só pensamento, pela busca, em espírito e em verdade pela genuína presença de Deus. Ele mesmo nos chamará, nos envolverá para adorá-Lo. Ele, pelo Filho e Espírito Santo se fará tão presente em nosso meio e há de promover as mudanças, as orações, as ações de graça, o amor mútuo, o perdão, o arrependimento, a reconciliação, os louvores, a comunhão.

Devemos-nos ‘desapegar’ da necessidade material que localidades devam ser a espinha dorsal dos nossos encontros e cerimoniais. Ou melhor, sem cerimoniais. Apeguemos-nos à vontade de Deus Pai que nos conforta e nos incita ao progresso da propagação do evangelho pleno, à exaltação ao Seu nome e anúncio da Boa Nova.

Aí sim, sejam nos templos, nos montes e tabernáculos. Nos porões, nas praças e rincões. Nos sertões, fazendas e lares. Seja em qualquer lugar. À tempo ou fora dele, estejamos unidos no amor sacrificial que nos remiu em tempo mais que oportuno para sermos luzeiros. Adoradores e Servos. Onde o 'onde' não é o principal!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pelo velho centro



Aqui dentro há uma cidade
Uma cidade onde vislumbro
O velho centro,
O velho mercado,
O velho lyceu,
A velha praça abandonada e descuidada que só.
 
No lugar das gaivotas, urubus.
As recordações de uma geração
Que tão ligeiramente por ali passou,
Nas juventudes
Mais profundamente aguerridas
Pelo fulgor das emoções que encobriam os corações.
 
É preciso reconquistar o velho centro
Aqui há um coração enfraquecido
Aqui há um amor esquecido
Há perdão
Há raiz
Há!
 
É preciso valorizar e redescobrir a cidade perdida,
Da ruína ao chão
Ao chão das nossas perdas
Nesse vão de solidão
Nessas vidas envaidecidas
Entristecidas pelo vento de razão
Que pra bem longe empurrou
                                           (Esmurrou...)
 
A infância de azuis manhãs de sol
A inocência de fulgazes aconchegos
Amores escondidos...
                                    (Em rol!)
 
Aqui dentro há uma cidade em paz
Onde vejo o amanhecer
O novo espaço a entardecer
O despertar do novo em mim
Nas praças e jardins
Do lilás, rosas, jasmins
                                 (...acolás)
Do azul, preto, enfim
                                 (...não jaz)
 
Dentro de mim há uma cidade reconstruindo
De tijolos, madeiras e telhas
Refaço janelas, soleiras
Repinto paredes, molduras
Rejunto ajulejos
Reconstruo chafariz
Libero a raiz
 
Reabro ruas
Reinvento quarteirões
Fecho fendas
Mato escorpiões
 
Dentro de mim há um espaço sim
Pra velhos e novos amigos
Pra achocolatados, cafés e chás
Bolachas, patês... pão francês
Boa música,
Boa poesia.
Boa prosa.
Bom verso.
 
Não meias palavras
Completas assim
Refugio enfim na nova cidade
De novo centro
Com pardais e sabiás
Do movimento peculiar
De cidadãos e cidadãs
Buscando novo ar
Um reconciliar dentro em mim
Um reconciliar!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cerrado Esvair

Meu caminho não é mais o mesmo de outrora,
Meus passos descompassados se estabilizaram,
Juntamente com o olhar estarrecido, amarelecido.
Boquiaberto fiquei por tuas agruras sofridas,
Porque os horizontes já não são mais os mesmos!
O verde de tuas folhagens transformou-se em cinzas,
Que presenciou a fumaça voraz,
O chão pedregoso, cruelmente castigado,
És recém-judiado e refém-maltratado!


Os retorcidos de suas árvores aniquilaram-se entre fagulhas estalantes,
E os meus pés como brasa só queriam por ti sofrer.
O meu canto embargado com desencanto cintilar,
Balbuciei em letras a destruição de seu altar.
E por eles eu chorei, implorei, denunciei, mas não relevei!
Por ti também assim orei ao Criador: não ao fogo-incandescente destruidor!
Não por suas entranhas intoxicadas!
E por amor preferi recitar, sem parafrasear,
Mas para memória dos fracos enxertar:


Por nossas antas, capivaras e lobos-guarás, cervos, lontras e gambás.
Pelas esperanças, grilos, bichos-paus, percevejos, bombeiros e baratas.
Pelas mariposas, borboletas, marias-fedidas, cigarrinhas e cigarras.
Pelas matas, rios, araras, quatis, tamanduás, veados e pacas.
Por eles ecoo meu grito estridente,
Ecoe então minha voz pra toda gente ouvir!
E que ressoe em troca um basta à judiação!
Pois se assim permanecer, de antemão adianto:
Suas paisagens e horizontes logo se acabarão!
E jazerás nas cinzas onde esvairás sua história, forma e encanto!
Tive a honra de participar com esse poema num ajuntamento de artistas,
 poetas, músicos e amantes da causa ecológica.
Foi publicado juntamente com muitos outros numa coletânea
 organizada pela administração do Guará, DF em 2011.
Espero que gostem!

sábado, 17 de setembro de 2011

BRASILEIRAR, A ORIGEM


Nasci no final dos anos 60 e também criado na capital goiana. Apesar das grandes dificuldades econômicas que meus pais viviam, me lembro que por volta dos meus 4 ou 5 anos, lá em casa sempre tinha boa música, cantigas, poesias, danças e muita folia de reis. Esse ambiente sempre propício à criatividade e arte me favoreceu, e muito a minha formação musical e também autodidata. Tinha ainda os ‘corinhos’ da igreja batista que estava sempre na ‘ponta da língua’. Os cânticos da escola bíblica de férias mais recente estavam sempre em nossa boca, e em primeira mão. Era muito bom. Bom demais! Não posso me esquecer também dos hinos do cantor cristão, que sabíamos de cor e salteado. Havia até uma ‘boa’ disputa entre nós pra ver quem sabia mais hinos. Aliás, lá em casa, a gente fazia um culto completo, com liturgia, louvor, pregação, e ainda com direito às ‘ofertinhas’.

Nessa época, a televisão já fazia sucesso no Brasil. A TV que tínhamos era uma “Teleotto”, preto e branco e que pra selecionar um dos 4 canais que tinha disponível, era preciso torcer ‘com força’ um grande botão. Mas aquele aparelho ali, com certeza, iria modificar sobremaneira nosso dia, tornando-o muito mais interessante; se bem que, o que não faltavam nas ruas eram brincadeiras de tudo quanto é tipo. Foram aqueles cânticos da igreja e as telenovelas que formaram meus ‘ouvidos musicais’.

Perto dos meus 13 anos já começava a ‘arranhar’ violões alheios e aos 15 já estava compondo minha primeira canção: “Abri a janela”, cuja letra já denunciava o meu envolvimento e dependência do Deus da Bíblia. Vibrava com cada poesia, cada canção, cada acorde novo que aprendia. Participei bastante também dos festivais de música que, aliás, as igrejas não abriam mão de realizá-los. E, lá estava sempre eu, querendo mostrar, participar. Toquei também em diversos grupos musicais que surgiam na minha igreja. Até banda de rock cristão, como gostávamos de chamar, participei.

Foi num desses festivais que participei com uma canção a qual intitulei de “Brasileirar”, e para minha surpresa, ganhei um segundo lugar. “Brasileirar”, uma música com timbragens e ritmos bem brasileiros, e que ganhou uma letra que provocava a discussão e reflexão sobre os movimentos sociais, isso, em meados dos anos 80. Na época ardia nos corações da juventude brasileira uma incrível vontade de mudar, de denunciar, de ver o Brasil com a cara e alma limpa de injustiça e governantes corruptos. Mesmo que para isso tivessem que pintar a cara de verde e amarelo, e o ‘sete’ também.

Muitas outras canções também foram surgindo de forma muito espontânea, em casa, nos retiros, nas viagens missionárias. A criação fluía como nunca. Agora, com a oportunidade que tive de gravar várias daquelas músicas, escolhi então como título do trabalho: “Brasileirar”, por entender que depois de muitos anos, o Brasil ainda clama por justiça, tem sede de mudança, transformação de caráter de suas autoridades e também de seu povo. Por entender também que o cristianismo e toda a cultura que o cerca precisa de engajamento social, propondo sempre a reivindicação legítima, mas com equilíbrio e porque não, com a intermediação do poder do evangelho e da Palavra de Deus.

Sérgio Carvalho é membro da Igreja Presbiteriana da
Alvorada, em Brasília, e integrante do Ministério de
Louvor, está lançando seu primeiro Cd “Brasileirar”,
no próximo sábado, às 19h na IPA. O Cd estará à venda
ao preço único de R$ 15 reais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Confraternização, Ralação e Louvor!



Pessoal, a gravação do áblum "Brasileirar" contou com a colaboração de representantes do ministério de louvor da IPA, minha comunidade de fé. Registro aqui bons momentos de muita descontração, ao final de uma seção de  gravação vocal das  faixas  "Canto da Terra" (sambinha de louvor) e  "Coração Quebrantado".  Muito honrado com a participação dessa galera viu! Obrigado à todos! Aproveito também para avisá-los do lançamento do cd, que será em 24 de Setembro de 2011, no templo da Igreja Presbiteriana Alvorada - 409/410 Norte. Mais prá frente posto novas informações à respeito!


Thalyta, Naara e Misael depois de soltar o gógó!

Thalyta, Nilsa, Joacy, Juliana, Misael e Eu! Satisfação!


Participação do Rômulo Careca em várias faixas do CD: talento e dedicação, valeu Broh!

 
Meu produtor, Ronan Barros, eu e o  Rômulo Careca, ao término de
uma longa sessão de gravação de bateria... cansativa, mas muito produtiva!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Aprendendo com o Zé do Brasil


Muito para dizer sobre a morte do Zé Alencar. Quando soube da trágica notícia de 29 de marco de 2011, parece que o Brasil inteiro foi tomado por uma só emoção, um só coração, um só sofrimento, . Isso porque o Brasil inteiro também, por meio dos seus ilustres e menos ilustres brasileiros torciam pela recuperação e ensejavam dia a dia, à pequenos passos, à conta-gotas, a recuperação de um dos seus mais ilustres e notáveis brasileiros. De origem muito humilde, mas de um histórico de superação e sucesso ao mesmo tempo. Mas porque será que o brasileiro se comove tanto assim com o Alencar? Porque as pessoas ficaram ligadas e antenadas nos veículos de comunicação, só para ficar sabendo as novidades sobre o Zé Alencar?
É muito mais simples que pensamos: o povo se identificou plena e irrestrita com a personalidade do homem, com seu caráter e até mesmo com os seus mais compreensíveis desvios. Identificou também com a sua integral capacidade de olhar nos olhos de quem quer que fosse e lançasse com franqueza as suas idéias, e também, as suas fraquezas.
O povo, em geral, é assim também. Até para aqueles que não conseguem alcançar tal perfil, se contentam em apenas observar exemplos como o Alencar. Se identificou ainda mais com a capacidade de enfrentamento rente à doença voraz, que o espreitava rotineiramente, insistantemente. Alencar não ria para a doença, mas a encarava e a desafiava - Não somente mostrar para a família e aos torcedores de plantão, mas à si próprio, ele queria demonstrar que ainda havia vida em si, vida em torno de si, e que podia proclamar, pelo menos, o adiamento de sua morte. E isso ele conseguiu mais de uma década! Mesmo na complexa adversidade o sorriso não saia de seu rosto. A singileza e demonstração de afeto, de aprendizado, de arrependimento, estiveram sempre nas suas declarações. Além disso tudo não deixava de sonhar com o Brasil, não abandonava as obrigações e implicações de um chefe de Estado, interino, ou não. Devemos e podemos nos espelhar sim, num homem como Alencar. Até porque Ele mesmo reconheceu a sua real dependência de Deus, o ser Maior e responsável por dar e reter a vida. Pela passagem do Zé Alencar podemos perceber também um quilômetro à mais no curso de nossas histórias, de nossos sonhos e também quanto à forma de encarar, daqui prá frente, os dilemas e transversalidades de nossas vidas. Seja com Deus, Alencar!